Nome técnico: Reconstrução mamária

Parte do corpo: Seios

Indicação: Reparação da mama, total ou parcialmente, que pode ser devido principalmente a resseccao de câncer de mama, portanto uma seqüelas da mastectomia total ou parcial (quadrantectomias, setorectomias, tumorectomias...)

Mas também pode ser devido a:
1- má formação congênita
2- deficiências de crescimento mamário por fatores adquiridos
3- seqüelas de queimaduras
4- necrose por infecção (por exemplo, em casos de mastite puerperal)
5- outros

A reconstrução de mama pode ser feita imediatamente, junto com o mastologista que resseca a mama com câncer ou pode ser feita tardiamente após a instituição de todo tratamento adequado, como ressecção do tumor, quimioterapia e radioterapia.
Idade recomendada: Indiferente, pois toda paciente diagnosticada com câncer de mama, já é considerada candidata a reconstrução da mama como parte de seu tratamento.
Anestesia: Normalmente é anestesia geral.

Duração da cirurgia: Depende da cirurgia optada; colocação de expansor ou implante mamário 1 a 2 hs em média e cirurgia de retalhos musculares, em média 4 a 5 horas.

Permanência na clínica ou hospital: Nos casos das próteses e expansores, geralmente 1 dia de internação e nos casos de retalho muscular, 3 dias de internação em média.



Cicatriz: depende primeiramente da área do câncer e da técnica empregada pelo mastologista, as cicatrizes podem variar de paciente para paciente e devem ser discutidos com o seu cirurgião plástico.

Pré-operatório: Arquivo fotográfico, exames laboratoriais, exames específicos solicitados pelo mastologista e/ou oncologista e exames específicos para o paciente em questão.

Pós-operatório: Praticamente todas as modalidade necessitam de dreno, que é retirado em media em 3 dias de acordo com a quantidade do débito. O uso de sutiã pós cirúrgico por um mês Os pontos são geralmente retirados entre 10 e 21 dias, dependendo da evolução da cicatriz. Pacientes com expansores precisam retornar semanalmente para insuflar os expansores o que leva em media 2 a 3 meses.

Recuperação: O pós operatório e os fatores limitantes variam de acordo com o porte da cirurgia, como por exemplo, nas cirurgia de retalhos musculares, a restrição de esforço físico é maior e por 1 mês em média. A paciente deverá ficar afastada de esforços por 30 dias, evitando elevar os braços mais alto que os ombros nos primeiros 15 dias. A dor é tolerável com analgésicos e anti-inflamatórios. Em boas condições, a reconstrução mamária imediata permite a continuidade do tratamento (quimioterapia e radioterapia) sem prejuízo à paciente.

Complicações: Os riscos são inerentes às condições de cada paciente e aumentam proporcionalmente com o aumento do porte da cirurgia. A incidência de complicações aumenta muito quando a radioterapia é necessária. Assim como a incidência de intercorrencias na cirurgia de reconstrução é sabidamente maior que nas cirurgias estéticas. pode ocorrer uma deiscência (abertura dos pontos de sutura), sofrimento de pele e da aréola, coleção sanguinolenta ou serosa, denominada hematoma ou seroma respectivamente, alterações da cicatrização, infecção e problemas anestésicos. Pode haver extrusão do implante ou haver a necessidade de retira-lo. Tardiamente, o corpo humano pode reagir com uma resposta inflamatória e fibrótica intensa provocando a denominada contratura capsular.
Um preparo pré-operatório adequado é fundamental para tentar evitá-las, assim como escolher um cirurgião plástico habilitado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica para executá-la. O tabagismo aumenta sensivelmente a incidência de complicação, portanto é indispensável parar de fumar por pelo menos 20 dias antes da cirurgia.

Resultado definitivo: O resultado definitivo é alcançado em torno de 6 meses, tempo de amadurecimento da cicatriz e regressão do edema.


Ilustração da técnica cirúrgica:

Diferentes modalidades:
A reconstrução pode ser imediata ou tardia, nas seguintes técnicas:
1- reconstrução mamária com prótese ou expansores teciduais, seguido da prótese.*
2- reconstrução mamária com retalhos miocutâneos:
-de músculo grande dorsal (geralmente com prótese)**
-de músculo reto abdominal***
3- reconstrução mamária com retalhos micro-cirúrgicos
4- reconstrução mamária com retalhos dermogordurosos de vizinhança (geralmente com prótese)

A escolha da técnica a ser utilizada vai depender principalmente:
1- das condições locais de pele e músculos (área que vai receber o expansor ou retalhos)
2- condições das áreas doadoras (costas, abdome, locais que cederão retalhos)
3- biótipo (características físicas de quem necessita da cirurgia)
4- forma do tórax e forma e volume da mama oposta
5- necessidade de radioterapia, peso da paciente, tabagismo e outro fatores de risco

Algumas destas cirurgias são feitas em um só tempo, mas a grande maioria são necessários 2 ou 3 tempos cirurgicos para alcançar um resultado estético mais adequado.
De uma maneira geral, no 1º tempo a mama ausente é reconstruída, no 2º tempo a mama é refinada e a mamoplastia da mama contralateral, se necessária, é realizada. No 3º tempo são realizados os refinamentos mais específicos e a aréola e o mamilo são reconstruídos.
Atualmente, o Sistema Único de Saúde e os diferentes convênios custeiam as despesas da cirurgia, pois também consideram que a reconstrução da mama faz parte do tratamento.do câncer. Procure um cirurgião plástico com experiência em reconstrução de mama, a confiança no médico é fundamental em mais essa etapa de seu tratamento
Mesmo que seu médico não faca parte do corpo clinico do seu convênio, muitos planos, aceitam realizar a cirurgia por reembolso.

*Reconstrução com Expansor Tecidual
É melhor indicada para pacientes com mama pequena, sem ptose e não candidatas a radioterapia.
O expansor, que tem a aparência de uma prótese vazia, é colocado durante a mastectomia ou posteriormente a esta. Ele é inflado progressivamente com soro fisiológico para permitir que a pele e o músculo estiquem e no futuro troque o expansor por uma “protese” definitiva. Essas injeções de soro são ministradas em uma válvula que o expansor possui, que fica debaixo de sua pele, num local onde seu médico facilmente a identificará. São praticamente indolores.
Os movimentos de seu braço poderão ficar um pouco limitados, mas retornarão ao normal gradualmente.

**Reconstrução com Retalhos do Músculo Grande Dorsal
É melhor indicada para pacientes com ausência de cobertura adequada de pele após a mastectomia ou se a pele existente for de má qualidade principalmente após a radioterapia.
O músculo nas costas é ressecado juntamente com uma ilha de pele em fuso, e são transportados por um túnel sob a axila, para preencher a parte anterior. Respeitando o pedículo vascular que o alimentara nesta nova posição para o resto da vida. Este retalho apresenta escasso tecido subcutâneo, desta maneira, na grande maioria das vezes, uma prótese mamaria é associada para dar o volume e contorno adequado.
Os movimentos de seu braço ficarão, em certo grau, limitados, mas retornarão ao normal gradualmente.

***Reconstrução com Retalhos de Musculatura Abdominal
É melhor indicada para pacientes com ausência de cobertura adequada de pele após a mastectomia ou se a pele existente for de má qualidade principalmente após a radioterapia.

Contra-indicação: algumas cirurgias abdominais previas que inviabilizem o retalho, e outros fatores de risco como tabagismo, obesidade...

Uma faixa de tecido abdominal localizado abaixo do umbigo é retirado com a função de utilizá-lo para preencher o volume mamário. Internamente, o músculo reto abdominal é levado conjuntamente como vetor do tecido abdominal.
No pós operatório, pode haver necessidade de curvar-se para frente ao levantar ou andar nas primeiras semanas, e isso será correspondente ao volume retirado e disponibilidade de pele na região doadora. Esse incômodo é passageiro e o retorno é gradual e progressivo.

A reconstrução mamária, principalmente quando realizada imediatamente, pode trazer um beneficio psicológico imensurável, mas é importante saber que apesar do empenho do cirurgião plástico, o resultado final estético da mama nunca será idêntico a mama perdida ou a mama contralateral imitada, é importante reconhecer as dificuldades deste procedimento para valorizar seu resultado definitivo.